Quanto tempo?2 min de leitura

Alguma vez você já pensou a respeito de quanto tempo de vida você ainda tem?

“Mas isso é pergunta que se faça, Silvana? Que conversa mórbida, pesada, vamos mudar de assunto?”

Mas no cotidiano de pessoas gravemente enfermas essa é uma pergunta que se faz presente em boa parte do tempo, já que elas precisam lidar com a perspectiva mais iminente de finitude, experimentando sentimentos e sensações impactantes, diversos.

Elas sentem pelo menos quatro ou cinco sintomas concomitantes: estão cansadas, sem apetite, e também com dor, e tristes, e com dificuldades para dormir. Às vezes, as pernas estão inchadas e a pele, empalidecida. Têm ao seu lado alguém que as ama. Uma esposa, um marido, um filho… ou estão sozinhas e desamparadas. Têm medo do sofrimento que o futuro abreviado pode lhes reservar. Já viveram outras perdas, antes mesmo da doença.

Quando contam sua história, revelam também outros capítulos que descrevem sua trajetória. Sentem necessidade de serem ouvidas pelo conjunto de sua obra. É a partir do resgate de sua biografia que entendemos que o fim da vida é apenas o último ato. Acompanhar pessoas em condição de terminalidade permite que a gente entenda que a vida não se reduz ao seu fim. Tudo é importante.

É com base nisso que aprendemos o caminho possível diante da pergunta: “quanto tempo de vida eu tenho?”

PODE PARECER UMA SENTENÇA CRUEL MAS, NA VERDADE, É UMA QUESTÃO NORTEADORA PARA PENSAR O CUIDADO.

Não há uma resposta objetiva para essa indagação, mas ela pode ser o ponto de partida para a definição de tudo que é relevante até que cheguem os dias finais. Toda pessoa gravemente enferma merece ser tratada com respeito, ter a sua dignidade preservada, expressar seus sentimentos e preocupações, comunicar suas preferências quanto ao tratamento disponível, ser ouvida com empatia e compaixão.

Mas, para além disso, deve ter a chance de reconhecer a importância de seu legado e de seus vínculos, de revisitar o seu percurso, valorizar seus acertos, reconciliar-se com seu passado, acolher seus erros como parte de sua humanidade. Sua relação com o tempo se modifica porque é preciso reordenar prioridades, avaliar o que de fato importa para que ela seja capaz de atravessar sua jornada com a percepção de que fez o melhor que podia.

Ou seja: pensar a morte sem necessariamente estar morrendo nos ensina sobre isso: sobre o que fazemos com o tempo que temos, seja ele longo ou breve. Você já se perguntou o que tem feito com o seu tempo? Aproveite. Ele está passando.

“Nunca há tempo suficiente para fazer tudo, mas sempre há tempo suficiente para fazer o que é mais importante”

Brian Tracy

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