Pessoas pretas que falam sobre a finitude7 min de leitura

Pessoas pretas que falam sobre a finitude7 min de leitura

A experiência do luto é única e intransferível que ocorre quando há o rompimento de um vínculo importante na vida das pessoas. Traz sofrimento emocional intenso, tristeza profunda e mais uma série de sentimentos que podem vir à tona, em maior ou menor intensidade.
E no contexto das periferias, ele pode se tornar um processo ainda mais difícil.
“Muitas vezes, o luto não pode sequer ser vivenciado nos territórios periféricos. Não porque as pessoas não queiram, mas porque as circunstâncias sociais, econômicas e territoriais não permitem. E isso deve ser refletido por todas e todos nós.” Jéssica Moreira para o Morte Sem Tabu do UOL.

Sendo assim, há uma série de questões a serem discutidas sobre o luto nas periferias:
-A urgências das pessoas em sobreviverem
-Os lutos não reconhecidos
-O luto como questão de saúde pública
-A falta de políticas públicas que cuidem da saúde mental das comunidades periféricas

Dessa forma, o racismo estrutural enraizado em nossa sociedade também reflete na maneira com que as pessoas viverão seus lutos, principalmente pela falta de espaço para que enlutados experienciem suas dores.

Entendendo a necessidade de discutirmos esse assunto com a população, trouxemos uma curadoria de profissionais negros de diversas áreas que abordam essas temáticas tão urgentes para você acompanhar.
Esses nomes são indicações de Jéssica Moreira.

ESTER MARIA HORTA


É psicóloga, mulher, cis, negra. Especialista em Neuropsicologia pela Divisão de Psicologia do HC-FMUSP há 10 anos. Cursa Atualização em Neuropsicologia do Desenvolvimento Infantil no Centro Paulista de Psicologia da Unifesp. Atualmente, integra o conselho da Associação Aliança Pró Saúde da População Negra, membro do núcleo de São Paulo da ANPSINEP (Articulação Nacional de Psicólogas (os) Negras (os) e pesquisadora enquanto paciente de Epilepsia e Esclerose Múltipla. Também é ativista e pesquisa doenças crônicas pelo recorte de gênero, raça e classe, em especial na população negra periférica.

LEONARDO PEÇANHA


Leonardo é filho enlutado da Dona Valquíria Britto e do Senhor José Peçanha. Cria de Padre Miguel, Jacarepaguá e Bonsucesso, zona oeste e subúrbio do Rio de Janeiro. Pesquisa os aspectos socioculturais da Educação Física, gênero, sexualidade e violência; transmasculinidades e saúde com enfoque transmasculino. É doutorando em Saúde Coletiva (IFF/FIOCRUZ), mestre em Ciências da Atividade Física (PGCAF – UNIVERSO) e especialista em Gênero e Sexualidade (IMS/UERJ).
Licenciado e Bacharel em Educação Física, pesquisador e consultor de diversidade. É coordenador de Articulação Política e Advocacy no Luto do Homem e Aconselhador no Luto (EKR-Brasil). Idealizador do site Negros Blogueiros e ativista dos direitos humanos. Ex atleta amador de futebol, cinéfilo e amante de videoclipes.

IAÇANÃ WOYAMES


Comunicóloga apaixonada pela conexão humana. Sua paixão é a comunicação autêntica e como ela pode conectar verdadeiramente com o outro e consigo mesmo. Depois de uma grande perda, seu filho Samuel que viveu 35 minutos no ano de 2015, ela foi buscar entender mais sobre empatia e compaixão. Assim conheceu a CNV – Comunicação Não-Violenta, de Marshall Rosenberg. Há 4 anos se dedica a estudar, viver e semear a CNV. Criou o @missaogirafa onde compartilha seus desafios e aprendizados na busca de ser girafa e alongar seu pescoço.
Também faz parte do time O espaço, uma comunidade para experimentadores e praticantes de Comunicação Não-Violenta.

CLÉLIA PRESTES


Doutora em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo (USP, 2018). Estágio doutoral no Departamento de Estudos Africanos e Afro-Diaspóricos (University of Texas at Austin, 2017), escreveu um artigo no Nexo Jornal que elucida muito bem o luto da população negra: “O luto por Kathlen representa um conjunto de despedidas”. Clélia também escreveu a tese Estratégias de promoção da saúde de mulheres negras: interseccionalidade e viver bem. Mestre em Psicologia Social (USP, 2013) com a dissertação: “Feridas até o coração, erguem-se negras guerreiras. Resiliência em mulheres negras: transmissão psíquica e pertencimentos”.
É psicóloga e especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica (2011) pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Pesquisadora amadora do NEPAID – USP (Núcleo de estudos para a prevenção da AIDS), Psicóloga do Instituto AMMA Psique e Negritude. Foi consultora pela ONU Mulheres e integra a Articulação Nacional de Psicólogas (os) Negras (os) e Pesquisadoras (es) (ANPSINEP). Coordenou a Área de Psicologia da ABPN (Ass. Bras. Pesquisdorxs Negrxs).

JEANE SASKYA CAMPOS TAVARES


É psicóloga, doutora em Saúde Pública (Instituto de Saúde Coletiva da UFBA) e docente da Universidade do Recôncavo da Bahia. Integrante do CFP, trata das questões psicológicas e da saúde mental da população negra. Escreveu o artigo “Falando da perda: hoje estou mal, espero que você entenda”, na Diplomatique BR, onde exemplifica as múltiplas perdas da população negra, principalmente em meio à pandemia.

BRUNO DE OLIVEIRA


Mestrando em Ciências da Religião pela Universidade Federal de Juiz de Fora, possui graduação em Teologia – Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, Convalidação em Teologia – Instituto Metodista Bennett. Licenciado em Filosofia – UCAM, MBA em ADM do 3º setor – UNINTER, Capelão Titular do INCA HC-IV (Unidade de Cuidados Paliativos) e Diretor Executivo do CPB (Centro Presbiteriano Beneficente).
Tem experiência na área de Teologia, com ênfase em Teologia Prática, Espiritualidade e Saúde.

ATILA ROQUE


Historiador, cientista político e diretor da Fundação Ford no Brasil. Exerceu papel de liderança em diferentes organizações da sociedade civil no país e no exterior. Foi Diretor Executivo da ActionAid International nos EUA e do INESC (Instituto de Estudos Socioeconômicos). Antes de assumir a Fundação Ford, em 2017, foi diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil.
Faz parte do Conselho Diretor do GIFE (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas).

JÉSSICA MOREIRA


Jéssica é escritora e jornalista. Cofundadora e diretora do veículo jornalístico Nós, mulheres da periferia. Também é repórter correspondente da Agência Mural de Jornalismo das Periferias em Perus e autora do Blog Morte Sem Tabu, da Folha de S. Paulo. É coautora dos livros “Heroínas dessa História – mulheres em busca de justiça por familiares mortos pela ditadura” e “Queixadas – por trás dos 7 anos de greve”.

E a Jéssica Moreira vem participar com a gente no Festival inFINITO – Ano 5✨!
Ela irá participar da conversa “Racismo estrutural e seu impacto na vida de pacientes” com Bridgette Hempstead, Mona Rikumbi e Silvana Aquino.

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