O que a morte tem a ver com inovação e protagonismo?3 min de leitura

O que a morte tem a ver com inovação e protagonismo?3 min de leitura

O exato momento da perda de alguém é apenas a ponta do iceberg do sofrimento. A morte é o ponto de partida para a presença da ausência.

A princípio pode parecer esquisito, mas eu sonho com o dia em que frases como “ah, este foi o melhor funeral da minha vida” serão corriqueiras. Neste futuro, a palavra “funeral” não soará estranha e desconfortável como hoje. No dia em que meu sonho se tornar realidade, talvez ela até tenha encontrado sinônimos mais simpáticos.

Claro que estou exagerando – e, na verdade, pouco importa que nome as cerimônias de despedida tenham. O mais importante é que elas sejam carregadas de significado e sirvam como primeiro passo para lutos mais saudáveis.

Trabalhei um bom tempo em um grupo funerário, com cemitérios, crematório, funerária e plano funerário. E eu sei, por conta de meus anos de experiência com as famílias, que rituais fúnebres bem realizados acolhem e favorecem a expressão da dor.

Em contrapartida, as boas experiências não são verificadas na maioria das vezes. As pessoas detestam funerais. Obviamente que o que te faz ir a um não representa uma experiência fácil nem tampouco feliz, mas isso tem a ver também com o fato de que os funerais não souberam se reinventar.

Em outras palavras, num mundo que muda numa velocidade cada vez mais frenética, chega a ser inacreditável que os rituais de morte mantenham a mesma estética e a mesma linguagem de sempre.

UMA BOA CERIMÔNIA DE DESPEDEIDA CONTA NÃO SÓ A HISTÓRIA DE VIDA DE QUEM PARTIU, MAS TAMBÉM A HISTÓRIA DE SUA MORTE.

Aprendi que em situações dramáticas as pessoas precisam de auxílio para criar uma narrativa em torno da perda. Ou seja: o bom funeral ajuda a criar significados para a despedida e inspira a expressão das nossas emoções – não só as de dor, como a de conexão, pertencimento, amor, e mesmo as sensações ambíguas da relação com a pessoa falecida.

Depois de 17 anos no cemitério e com a experiência vivida no projeto Vamos Falar Sobre o Luto? (uma plataforma digital que vem mudando a abordagem do tema no Brasil desde 2015), decidi iniciar uma consultoria estratégica para o setor funerário: a Flow Death Care, cujo principal objetivo é a inovação.

O funeral é um ambiente legítimo para o choro, para a dor e para concretização da perda. E aqui neste espaço, a partir de agora vamos falar sobre morte e sobre como as despedidas podem ser melhores.

Por último, deixo uma provocação: você já pensou no seu próprio funeral? Por que deixamos o peso da decisão sobre todos os detalhes para quem está passando pelo maior sofrimento? Já pensou em ser o protagonista do seu próprio fim?

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