O conceito de gurufim na morte de sambistas3 min de leitura

O conceito de gurufim na morte de sambistas3 min de leitura

“Não deixe o samba morrer

Não deixe o samba acabar

O morro foi feito de samba

De samba pra gente sambar”

É bem provável que você tenha lido as primeiras linhas deste artigo cantando “Não deixe o samba morrer”, que está marcada na história da música brasileira pela voz da musa do samba, Alcione. E a gente abre essa conversa dessa forma pra te contar sobre o conceito de GURUFIM na morte dos sambistas.

De acordo com a definição do dicionário Michaelis, gurufim significa:

1- Ritual fúnebre na comunidade afro-brasileira, acompanhado de algum passatempo para tornar a atmosfera menos pesada.

2- Cerimônia fúnebre em que as pessoas cantam e dançam para homenagear o morto.

Embora pareça bastante controverso para alguns, esses rituais de cunho festivo são uma maneira de manter viva a tradição sambista, sempre regada a boa música, alegria e boemia. Ritos, esses, que vieram dos ancestrais de países africanos, passando por adaptações e sendo chamados, aqui no Brasil, de gurufim.

GURUFIM É CONSIDERADA A FESTA DA MORTE: ERA COMO UMA BRINCADEIRA PARA ANIMAR VELÓRIOS, REALIZADA PELAS COMUNIDADES MAIS POBRES NO PAÍS.

Gurufim é considerada a festa da morte: era como uma brincadeira para animar velórios, realizada pelas comunidades mais pobres no país.

E isto está muito ligado a como a cultura afro-brasileira enxerga a finitude: a morte, para eles, não é um conceito, é uma espiritualidade. E quando você canta, dança, bebe e faz festa, não está só comemorando a vida de quem foi, mas está enganando a morte!

ENTÃO, O GURUFIM É UMA MANEIRA DE CELEBRAR, DESCONTRAIR E DRIBLAR A MORTE.

Segundo o historiador e escritor Luiz Antônio Simas falou a respeito para o UOL, em 2019:

“Há alguns mitos que falam da necessidade de você festejar para que a morte não perceba que tem alguém sendo velado ali e ela não leve mais ninguém”.

O primeiro grande funeral de um sambista aqui no Brasil foi de Paulo da Portela (1901 – 1949), fundador da mais antiga escola de samba em atividade, a Portela. Historiadores relatam que mais de 15 mil pessoas estiveram presentes, causando comoção pelas ruas do Rio de Janeiro.

Em 2019, nos despedimos da madrinha do samba, Beth Carvalho, aos 72 anos de idade. Seu velório aconteceu na sede do Botafogo de Futebol e Regatas (RJ), clube do coração da cantora. E claro: teve muita festa, comemoração e encontro de amigos, familiares e fãs.

O GURUFIM, POR FIM, É UMA GRANDE CELEBRAÇÃO DA VIDA.

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