Mitos e verdades sobre Cuidados Paliativos3 min de leitura

Mitos e verdades sobre Cuidados Paliativos3 min de leitura

“Cuidados paliativos são o último recurso, apenas para quem tem uma doença terminal ou incurável.

Errado.

Os cuidados paliativos são para qualquer pessoa que receba o diagnóstico de uma doença que ameace a vida. A enfermidade pode, sim, ter cura, não precisa ser crônica e nem terminal. A Covid-19, por exemplo, é uma delas – por recomendação da OMS, inclusive.

“Existem pessoas convivendo com uma doença grave há mais de 10 ou 15 anos mesmo estando em cuidados paliativos.”

Correto.

E experimente trocar o “mesmo estando” por “por estarem” em cuidados paliativos. É justamente a dosagem do custo-benefício de cada intervenção que faz com que o paciente sobreviva mais e melhor. No caso de câncer, por exemplo, é importante que se adote quimioterapias que beneficiem o paciente e não acelerem o processo de morte dele. Parece óbvio, mas quando os cuidados paliativos não estão por perto nem sempre é.

“Cuidados paliativos são um jeito de deixar o paciente para morrer.

Errado.

Os cuidados paliativos são uma abordagem multidisciplinar e complexa, com diversos profissionais da área da saúde atuando em prol do paciente e da família. São eles: médicos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, psicólogos, psiquiatras, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais, entre outros. Essa estrutura tem como objetivo garantir a dignidade integral da pessoa que está enferma por meio de cuidados completos até o último suspiro – aconteça ele em breve ou daqui a muitos anos.

“Cuidados paliativos são eutanásia disfarçada.”

Errado.

No Brasil, a eutanásia é ilegal. Os cuidados paliativos são legais. A eutanásia é programar e realizar a morte de uma pessoa, a pedido dela mesma, por uma ação compassiva. Ou seja: por compaixão à condição daquele indivíduo, a eutanásia é autorizada e realizada com o objetivo de abreviar a vida. Já os cuidados paliativos não são uma ação pontual e o tipo de morte que acontece neste caso é o que pode se traduzir por ORTOtanásia: a morte natural, que acontece no tempo certo, nem antes e nem depois do curso espontâneo da vida.

OS CUIDADOS PALIATIVOS ATUAM PARA MINIMIZAR – OU MESMO ZERAR – SINTOMAS COMO DOR, FALTA DE AR, MEDO, ANGÚSTIA, ETC.

“Os cuidados paliativos não são apenas para os pacientes, mas também para a família.”

Correto.

As equipes multidisciplinares têm como foco o paciente e os parentes e amigos que, pela proximidade, também tendem a estar em sofrimento. Os cuidados se estendem para o núcleo social do indivíduo porque entendem que ninguém é uma ilha e esta abordagem pode se reverter em ainda mais qualidade de vida para o paciente.

Os cuidados paliativos garantem um luto mais saudável.”

Parcialmente correto.

Quando falamos em luto, nada é cristalizado, fechado, imutável. É tudo individual, singular; uma impressão digital. Nada no mundo pode garantir um luto saudável pra ninguém – mas podemos, sim, falar em TENDÊNCIA. O familiar ou o amigo que perde alguém com dignidade tende a atravessar o processo de luto de maneira mais serena. Um dos principais fatores que levam a esta condição é a sensação de ter sido respeitado.

“As equipes de cuidados paliativos estão acostumadas com a morte, portanto não sofrem quando veem um paciente partir.”

Errado.

Os cuidados paliativos são profundamente baseados no vínculo entre cada profissional e o paciente. É um equívoco achar que os profissionais de saúde consigam se anestesiar e não sentir cada perda.

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