Falar sobre o luto é mórbido?3 min de leitura

Falar sobre o luto é mórbido?3 min de leitura

Se você está lendo esta coluna, pode ser que esteja procurando algum sentido ou caminho para uma experiência difícil de perda que você ou alguém ao seu lado esteja vivendo. Nesse desbravamento, encontrou este site do inFINITO e me encontrou por aqui, neste blog. E o que eu faço por aqui?
Nasci carioca, cresci paulista. Ao longo da estrada que une o início em Copacabana e os caminhos paulistanos percorridos entre a infância e a vida adulta, foram muitos vínculos e lutos vividos. Olho para todas as cicatrizes e nelas me reconheço, lamento, agradeço, amplio, reduzo, sinto um tanto de coisas, entendo, me entendo. E nesta trajetória, a psicologia se tornou uma área de conhecimento e atuação que soma sentido, força e graça à minha história pessoal.
Como psicóloga, há quase três décadas sigo alimentada pelo propósito de cuidar de pessoas que, diante do sofrimento, se veem sem saída. Estar ao lado das pessoas e ajudá-las a transformar feridas em cicatrizes, vulnerabilidade em resiliência, dor sem sentido em vida com sentido: esta é a grande mola propulsora de uma profissão apaixonante.

NÃO EXISTE BOA HORA PRA PERDER QUEM SE AMA.

Perdas fazem parte do viver, sejam simbólicas ou concretas, mas são percebidas como um gol contra numa cultura alimentada pela negação da finitude, por propósitos capitalistas que fomentam quadros de ansiedade e depressão numa velocidade maior do que o surgimento de serviços de prevenção e tratamento da saúde mental disponíveis em todo o país.
E porque falar de luto ainda é percebido socialmente como mórbido, os inúmeros lutos negligenciados, incluindo no momento presente, em razão da pandemia pelo COVID-19, estão se tornando um problema de saúde pública.
Justamente por esta razão, desde que comecei a trabalhar com prevenção e suporte psicológico aos enlutados sempre me interessei por espaços sociais para falar sobre morte e luto. Como o luto é um fenômeno individual, mas também social, levar informação para a sociedade sobre o que é esperado ou não neste processo, sobre o que sobrecarrega ou alivia o enlutado, entre outras informações, é um esforço que faz parte do meu propósito.

A que vim?
Por aqui, a cada encontro te convido para uma reflexão sobre a vida que há na morte e as tantas mortes que existem na vida. Aqui os lutos serão legitimados e objetos de reflexão.
Os vínculos de amor são essencialmente necessários para nossa sobrevivência e, por isso, diante da dor da perda, passamos a confrontar nossas reações mais instintivas, mas nem sempre acolhidas socialmente.
Aqui pretendo desnudar esses temas e conto com sua companhia para dissolver os medos, fantasias e estigmas que alimentam a ideia de morbidez em torno do luto e empobrecem a vida. E pra você, qual é a sensação de ler, ouvir ou falar sobre luto?

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