Diamante, disco de vinil, fogos de artifício… Quais são os destinos “diferentões” que existem para as nossas cinzas após a cremação?4 min de leitura

Diamante, disco de vinil, fogos de artifício… Quais são os destinos “diferentões” que existem para as nossas cinzas após a cremação?4 min de leitura

Muita gente me pergunta isso: o que se faz quando alguém morre? Qual é o passo a passo?

Não tem uma única resposta para essas perguntas. Tudo depende. Depende, por exemplo, da causa da morte. Se for no hospital, é de um jeito; se for em casa, é de outro; se for na rua, é de outro. E mil outros detalhes.

O fato é: não se trata de uma mera sequência sistemática de questões burocráticas. Mas ainda assim – acho que todos concordam – parece sempre tudo igual.

Por vários motivos – históricos, culturais e religiosos -, já faz um bom tempo que seguimos um certo padrão, aqui no Brasil, quando se trata de rituais fúnebres:

Cartório > Caixão > Coroas, flores > Velório impessoal > Enterro/ cremação / Cerimônias despersonalizadas > Missa de 7º dia ou o equivalente em cada religião

ESTAMOS TÃO ANESTESIADOS, ENTORPECIDOS, EXAUSTOS, QUE ACABA PARECENDO A ÚNICA SEQUÊNCIA POSSÍVEL. MAS NÃO PRECISA SER DESSE JEITO.

Assim que chega uma notícia de falecimento todo mundo tem que correr com os trâmites para começar o velório o mais rápido possível, certo? Não, errado! O velório pode começar depois. Depois de amanhã, uma semana depois, até um mês depois.

Mas onde fica o ente querido enquanto isso? Em uma câmara fria, na funerária ou no crematório. O corpo também pode ser preparado de forma química para retardar o processo de decomposição. Estes dois recursos ajudam caso a família queira esperar por outros parentes e amigos que estão fora do país, por exemplo. Um dos procedimentos é chamado de tanatopraxia (para esperar poucos dias) ou embalsamamento (para esperar mais dias).

Por mais desagradável que seja precisar num velório – porque significa, justamente, que alguém querido fará falta – esta é uma oportunidade de ter uma grande rede de apoio, o momento de entender o significado social e coletivo de quem partiu e também de quem ficou.

Então por que fazer tudo isso correndo, sem planejamento, sem tempo suficiente para os detalhes que realmente são importantes? Velório não precisa acontecer em salas tradicionais, frias ou cafonas (vamos ser sinceros!).

A cerimônia pode acontecer em teatros, em salão de festas, em casa, num galpão, ao ar livre. Pode ter cenografia, decoração, ambientação. Cartaz colado na parede ou telão para mostrar o filme da história daquela pessoa.

Se existem formas de fazer diferente no velório, também há novas alternativas para o enterro ou para a cremação. Green burial é o enterro verde: o corpo é colocado diretamente na terra, sem caixão, tudo ao natural. Já Recompose, ou recomposição humana, é uma técnica de compostagem que gera mais energia do que consome e converte o corpo em terra fértil. Aliás, no Festival inFINITO deste ano vai ter um painel dedicado exclusivamente para este assunto. Clique aqui para saber mais. Além disso, também existe um procedimento chamado hidrólise alcalina – ou aquamation: uma cremação na água!

Todas essas alternativas são mais sustentáveis. Você pode nunca ter pensado nisso, mas sim: enterro e cremação poluem. Com estas novas abordagens, vêm também novos significados de homenagens e rituais. Infelizmente, por enquanto, nenhuma dessas opções está disponível no Brasil, mas torço para que cheguem logo!

Mesmo a cremação convencional também abre um leque de opções do que fazer com as cinzas. Jogar no pé de uma árvore é legal, num rio ou numa lagoa também… Mas e colocar as cinzas no fundo do mar em um cemitério marítimo? As cinzas também podem virar árvore, disco de vinil, quadro, cristal, diamante e até fogos de artifício?

O mais importante de todas essas inovações é pensar em quanto essa experiência pode proporcionar acolhimento e favorecer a expressão dos sentimentos do luto.

Agora que você sabe de todas estas perspectivas e possibilidades, conseguiria dizer qual escolheria para quando você morrer? E mais: se você perder alguém muito querido, o que poderia fazer sentido pra você num momento em que precisa ser acolhido?

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