A gente nunca esquece3 min de leitura

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Me recordo de um grande sonho de infância, aos 8 anos de idade, motivado por uma propaganda televisiva, que me fez espalhar bilhetes por toda a casa: “Não esqueça a minha Caloi!”

Num belo dia, meu pai disse para meu irmão e eu irmos até o quintal porque havia uma surpresa nos aguardando. Imediatamente corremos, disputamos espaço no corredor e, quando chegamos, meus olhos não podiam acreditar no que viam: uma bicicleta Caloi novinha para mim e outra para o meu irmão.

Antes de mais nada, levantei aquela bike com uma alegria indescritível e lembro de chegar à conclusão: não há ninguém no mundo mais feliz do que eu. Tenho a minha Caloi!

Conforme o tempo foi passando, os meus sonhos foram se reconfigurando. Passei a querer um Atari. Para quem é mais jovem, devo explicações: trata-se do avô do Playstation, um videogame desejado por praticamente todas as crianças da minha geração. Parecia a chave para a felicidade. Então era aquele, enfim, o caminho! Meus pais trabalharam muito e puderam me dar o tão desejado Atari.

SÓ QUE A VIDA SEGUE E VAMOS PROJETANDO A FELICIDADE EM ALVOS A SEREM ALCANÇADOS, EXPRESSOS EM UM PENSAMENTO RECORRENTE: EU SEREI FELIZ QUANDO…

Serei feliz quando terminar o ensino médio… quando começar a namorar… quando entrar na faculdade… quando comprar meu primeiro carro… quando me casar… quando tiver filhos… quando me divorciar… Aí, quando formos ver, a vida passou e esquecemos de ser felizes.

É como se nos faltasse descobrir uma grande verdade, daquelas que mudam a vida. Sempre que olharmos a felicidade como um objetivo futuro de vida, nos tornaremos escravos desse tal “serei feliz quando…”.

Mas, ao contrário, quando decidirmos viver a vida com todas as suas potencialidades, com as coisas simples que nos trazem sentido, que nos fazem sorrir, a encontraremos como consequência de uma vida que vale a pena ser vivida.

Todo mundo quer chegar no topo da montanha, mas poucos percebem que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpada. A gente precisa parar de ansiar pelo bosque apenas no final e aprender a admirar as flores pelo caminho, ver beleza na caminhada, e transformar a beleza da vida não em um lugar onde chegar, mas no brilho do trajeto.

Talvez, encarar o dia-a-dia desta forma seja um exercício difícil no começo. Mas, assim como para andar na minha primeira Caloi, lá no início tive o apoio das rodinhas. Depois, com elas retiradas, meu pai segurou na parte traseira para que eu não desequilibrasse. Quando ele soltou, eu nem notei – e segui. Exercitar a felicidade do percurso pode ser que nem andar de bicicleta: quando a gente aprende, a gente não esquece. No entanto, não existe uma fórmula única que possa ser aplicada a todo mundo. Mas se este caminho pudesse ter uma receita de bolo, como seria a sua? Vou te contar alguns ingredientes da minha: simplicidade, autenticidade, convivência, amor, filosofia e um belo pôr-do-sol.

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