3 mortes e 1 causa4 min de leitura

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Como minhas vivências me ajudaram na criação do Movimento inFINITO

Hoje é dia de celebrar mais um ano de vida do nosso Movimento inFINITO! 

Ele nasceu oficialmente aqui nas Redes Sociais (no Instagram, mais precisamente) no dia 08/08/2018 como um ato de sincronicidade do universo, pois a data do primeiro post simplesmente aconteceu como um presente cheio de oitos e inFINITOS!

Como forma de celebrar esta data venho agradecer a cada uma, e cada um de vocês que nos acompanham com milhares de likes, comentários amorosos e compartilhamentos inFINITOS. Nascemos com a proposta de ser movimento, mas sem a participação de vocês, ele não acontece. Obrigado por todas as histórias que vocês compartilham conosco e como, de alguma forma, o que criamos aqui te impactou, te emocionou ou te ajudou em algum momento desafiador.

Nesta data eu também honro as 3 pessoas que são responsáveis por eu criar o Movimento inFINITO. As experiências de adoecimento, terminalidade, morte e luto que vivi com eles me transformaram profundamente. E para isso, trago alguns trechos do capítulo “As três mortes de minha vida” que escrevi para o livro “Quando a Morte Chega em Casa” da Editora Summus.

“A morte entrou pela minha porta três vezes no período de três anos. Ela veio para levar Maria de Lourdes, minha mãe, Eduardo, meu primo-irmão, e Getúlio, meu pai. Em cada visita a recebi de uma maneira diferente. Digo “diferente” porque a cada morte eu fui me transformando; partes de mim morriam e outras nasciam. Ela, a morte, foi me convidando a criar um outro tipo de relação. Aprendi que se eu a tratasse com menos temor, talvez ela conseguisse ser mais gentil comigo – e permitiria que outros sentimentos importantes como amor, intimidade, pertencimento, conexão e gratidão fizessem companhia ao medo e à dor se eu a olhasse de frente, admitisse a sua presença. Aprendi também sobre a minha incapacidade de controlá-la e sobre a minha capacidade de promover diferentes formas de conforto. A morte foi se apresentando como minha professora.

A negação de que todos morremos e a luta a qualquer custo pela sobrevivência trazem muito mais sofrimento, em todas as dimensões: sofrimento físico, emocional, espiritual, social e familiar. E nós não queremos falar, pensar ou lidar com a morte. Seja a nossa própria ou a do outro. Não toleramos este assunto e, assim, varremos o tema para baixo do tapete. E mesmo se quisermos falar sobre isso, não sabemos como, não fomos educados para isso. Nos sentimos muito desconfortáveis. Só que este estado de negação é profundamente nocivo lá na ponta, quando chega a hora. A nossa ou a de quem a gente ama. Mas dá pra tornar tudo menos difícil.

Não falo da boca pra fora; foi o que aprendi ao viver as três mortes mais impactantes da minha existência. Ao pé do leito da minha mãe, eu não fazia ideia sobre os desejos, necessidades e medos dela. Tampouco sobre os direitos do paciente e dos familiares. Essa foi a primeira vez em que a morte bateu à minha porta. Ela fez o que quis comigo, eu fui apenas submisso a ela. Nós, familiares, ficamos ali de mãos atadas, achando que era assim mesmo que se morria, que todas aquelas dúvidas e o sentimento de impotência eram inerentes ao processo. Três anos depois, o que a nossa família passou com a morte do meu pai foi uma experiência completamente diferente: nos apoderamos dos nossos direitos e pudemos conduzir a situação. Mas isso só foi possível por causa da jornada percorrida a partir da morte da minha mãe e, neste ínterim, veio o processo de perda do Du, o meu primo-irmão. O fato de meu pai ter morrido com mais dignidade está diretamente ligado à minha aprendizagem neste processo que vivi com o Du, que foi quando tive o privilégio de conhecer os Cuidados Paliativos.”

O CINECLUBE DA MORTE

Honro também o primeiro projeto que criei com a minha amiga Ana Claudia Quintana Arantes mesmo antes do nascimento oficial do inFINITO. Ele me permitiu entrar de cabeça neste tema e ser uma ferramenta importante para eu processar os meus lutos.

Foi através do Cineclube da Morte que entendi o poder curativo e restaurativo das Conversas Sinceras Sobre Viver e Morrer.

E seguindo o clichê dos clichês “O aniversário é nosso, mas o presente é seu”, a partir de agora você poderá levar o projeto CINECLUBE DA MORTE para o para sua comunidade, seja através do cinema da sua cidade, para o auditório da sua faculdade, uma sala de escola, a praça, o clube, a igreja, o grupo do Zoom com seus amigos.

Quer saber mais? Clique AQUI

Seguimos juntos celebrando a vida e transformando o mundo para melhor?

Obrigado!

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